quinta-feira, 14 de dezembro de 2017



Domingo,17/12/2017
Resultado de imagem para estejam sempre alegresResultado de imagem para no meio de vós está aquele que vós não conheceis

SOMOS CHAMADOS A VIVER SEGUNDO O ESPÍRITO DIVINO PARA VIVER NA ALEGRIA E SER CAUSADORES DA ALEGRIA
III Domingo Do Advento-Ano B


I Leitura: Is 61,1-2a.10-11
1 O espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; 2ª para proclamar o tempo da graça do Senhor. 10 Exulto de alegria no Senhor e Minh ‘alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas joias. 11 Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações.


II Leitura: 1Ts 5,16-24
Irmãos: 16 Estai sempre alegres! 17 Rezai sem cessar. 18 Dai graças em todas as circunstâncias, porque essa é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. 19 Não apagueis o espírito! 20 Não desprezeis as profecias, 21 mas examinai tudo e guardai o que for bom. 22 Afastai-vos de toda espécie de maldade! 23 Que o próprio Deus da paz vos santifique totalmente, e que tudo aquilo que sois — espírito, alma, corpo — seja conservado sem mancha alguma para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo! 24 Aquele que vos chamou é fiel; ele mesmo realizará isso.


Evangelho: Jo 1,6-8.19-28
6 Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7 Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 19 Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?” 20 João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”. 21 Eles perguntaram: “Quem és, então? És tu Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És o Profeta?” Ele respondeu: “Não”. 22 Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos que levar uma resposta para aqueles que nos enviaram. O que dizes de ti mesmo?” 23 João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’” — conforme disse o profeta Isaías. 24 Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus 25 e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?” 26 João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, 27 e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”. 28 Isso aconteceu em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.
-----------------------
Para Se Manter Na Verdadeira Alegria Deve-se Permanecer No Espírito Santo


 Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas joias” (Is 61,10). Por isso, “Estai sempre alegres! Rezai sem cessar. Dai graças em todas as circunstâncias, porque essa é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não apagueis o Espírito!” (1Ts 5,16-19)


O tema deste Terceiro Domingo do Advento é de alegria e de gozo na perspectiva de uma realidade salvífica esperada, mas já presente "misteriosamente". Neste clima se movem a Primeira Leitura e o Salmo Responsorial. A Segunda Leitura é um convite à alegria, e o Evangelho apresenta a razão ou o fundamento da mesma alegria: a vinda do Senhor.


Os dois pontos clássicos do Terceiro Domingo do Advento são a afirmação da presença dos tempos messiânicos e a exortação à alegria que vem dessa certeza. No que diz respeito ao primeiro ponto, o significado profundo da missão de João Batista deve ser levado em conta, como aparece no Evangelho deste domingo. Existe um provérbio que diz: "Se alguém, com seu dedo, apontar para o céu, não fique olhando para o dedo". Foi precisamente o que João Batista queria dizer aos seus contemporâneos que perguntaram quem era ele e qual era a missão dele. John desiludiu-os de uma vez por todas, afirmando com toda a clareza que ele não era o Messias, nem Elias, nem o Profeta que eles esperavam. Ele lhes dizia: “Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’”. Ele vem dizer-lhes, portanto, não olhar para ele, mas apenas para o Outro que ele, com o dedo indicador, está apontando para eles.


A alegria é um dos principais temas das Sagradas Escrituras. Este tema se encontra em todos os lugares no Antigo Testamento e no Novo Testamento. A mensagem da Bíblia é profundamente otimista: Deus quer a felicidade dos homens (Cf. Mt 5,1-12; Lc 10,20), seu êxito, sua expansão. Deus quer preencher os homens com abundância e plenitude (Cf. Jo 10,10). Mas o homem deve estar aberto para este dom. A alegria traduz, no homem, a consciência de uma realização já efetiva ou ainda por vir.


A alegria do Evangelho é uma alegria que vem do Alto, mas que, ao mesmo tempo, deve surgir do coração do homem: é uma alegria divino-humana. Jesus é o Iniciador definitivo desta alegria. A alegria de Jesus (também para todos os cristãos) é pascal: a passagem da morte para a vida. Nenhum cristão é condenado à morte em vão, pois o Senhor em Quem acredita foi ressuscitado. Este Senhor que estamos esperando em cada Natal com muita alegria.


A alegria que os cristãos experimentam se traduz espontaneamente em ação de graças, já que a salvação pela qual se alegram é, em primeiro lugar e antes de tudo, um dom (cf. Gl 5,22). Essa dimensão de sua alegria é completamente essencial: os cristãos sabem que o último triunfo da aventura humana depende radicalmente da benévola misericórdia de Deus Pai: “Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele Quem nos amou” (1Jo 4,10).


A celebração eucarística constitui um dos terrenos privilegiados em que, de algum modo, a verdadeira alegria deve ser comunicada e experimentada por todos os participantes. A ambição que a Igreja persegue ao reunir os seus fiéis em torno das duas mesas: da Palavra e do Pão, é fazê-los viver de antemão a própria salvação do Reino e a fraternidade ilimitada que carrega com ela. Neste sentido, a participação eucarística é objetivamente uma fonte de alegria.


João Batista Nos Convida a Ser Testemunhas Do Cristo Presente No Meio De Nós


Eu sou a voz que grita no deserto: ‘Aplainai o caminho do Senhor’. ... No meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”.


A atitude de Juan Batista é a única que corresponde aos cristãos, tanto individualmente como formando a comunidade cristã. A missão de João Batista consiste apenas em testemunhar ou indicar a presença de Cristo no mundo. O testemunho e a indicação de João Batista são tão transparentes que os homens não tropecem, mas descobrem o rosto de Jesus Cristo.


A exemplo de João Batista, o testemunho dos cristãos não se refere a um Cristo que têm que impor-se de fora, mas ao Cristo que já está misteriosamente presente sempre entre os homens. Exatamente como João Batista disse aos que o ouviram: "No meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim”. A Igreja em geral e cada cristão em particular, às vezes, esqueceu essa característica essencial de sua missão: em vez de querer passar despercebida, a Igreja ou cada cristão faz todo o possível para se tornar o centro da atenção do mundo, continuamente falando sobre seus próprios direitos e exigindo privilégios e prerrogativas. Muitas vezes, ela teve a impressão de que ela pregava sobre si mesma, em vez de pregar apenas sobre Cristo.


É necessário que cada membro da Igreja recupere a atitude de João Batista e se convença definitivamente de que ele não é um fim em si, mas apenas um índice que aponta para Cristo. A fala e o modo de viver de cada cristão devem apontar para Cristo e não para chamar atenção dos outros para si mesmo.


Necessitamos Reconhecer a Presença Do Salvador No Meio De Nós


Exulto de alegria no Senhor e Minh ‘alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas joias. Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a sua glória diante de todas as nações”, escreveu o Terceiro Isaías.


O homem precisa urgentemente de um Salvador, mas de um salvador que não seja um anjo ou extraterrestre, mas um homem inteiro e verdadeiro, mas que também é um Deus. O homem precisa de um Salvador para trazer luz para seus passos incertos, curá-lo de muitas doenças, dar-lhe razões para viver, ensinar-lhe o que é a vida, cantar o hino de liberdade e alegria. O homem necessita de um Salvador que nos diz onde está a verdade do homem e de Deus. Este Salvador é que as leituras de hoje nos apontam.


Ele será um Mestre de consolo. Ele dará "Boa Nova" aos pobres e a todos os que sofrem. Suas palavras alcançarão o coração de todos aqueles que esperam. Ninguém com Ele ficará triste ou abatido. Suas palavras encorajam os fracos e até mesmo ressuscitar os mortos. Ele presenteia os seus com uma alegria que nada nem ninguém capaz de arrancá-la. Jesus é nosso Salvador, razão de nossa alegria.


Jesus, Deus que salva é o Cristo. Ele será um homem, mas ungido pelo Espírito de Deus. O Espírito Santo é como um unguento que penetra na parte mais profunda do ser e cura, suaviza, fortalece. Este ungido ou Cristo será totalmente imbuído do Espírito e será guiado por ele. Será sua força e consolo. Todas as suas palavras e gestos serão sempre carregados com o Espírito. É assim deve ser a vida de cada cristão, pois ele pertence a Cristo. Cada cristão é uma pessoa ungida.


Mas muitas das vezes temos que reconhecer que “No meio de vós está aquele que vós não conheceis”. É preciso nos esforçarmos para reconhecer esta Presença permanente (Cf. Mt 28,20).


É Preciso Manter Nosso Espírito De Alegria, De Oração e De Agradecimento


Estai sempre alegres! Rezai sem cessar. Dai graças em todas as circunstâncias, porque essa é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo. Não apagueis o espírito!”, escreveu São Paulo na Segunda Leitura deste Domingo (1Ts 5,16-19)


Em três palavras, São Paulo resume a atitude do espírito cristão que corresponde à vontade de Deus: alegria, oração e gratidão.


Estai sempre alegres!”. Alegremo-nos permanentemente! Ou seja, até nos momentos baixos de nossa vida, pois esses momentos jamais afetam o fundamento em que descansa nossa alegria: a certeza da salvação em Cristo.


Rezai sem cessar!” Naturalmente não com palavras e sim com a consciência da união com Deus, porque no descanso da alma nele se encontra precisamente a verdadeira oração. O próprio Jesus nos convida a perseverar em nossa oração, a dirigir confiadamente nossas súplicas ao Pai (Cf. Lc 18,1). Ele nos recomenda que sejamos persistentes na oração não porque Deus seja surdo e sim porque nós necessitamos perseverar para alcançá-Lo. A natureza humana é geralmente caracterizada pela inconstância. Ficamos desanimados e apavorados diante do primeiro obstáculo que nos é apresentado na consequência de nossos projetos e metas. Abandonamos a nave diante do menor indício de tormenta. As coisas fáceis geralmente não são valiosas. Para vencer os obstáculos são necessárias a humildade, a confiança e a perseverança na oração.


Daí graças em todas as circunstâncias, porque essa é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo!”. Tudo que temos e somos, fora do pecado, é dom de Deus. E os dons são dados a cada um de nós conforme a capacidade de cada um de nós. Se os dons são dados por Deus para cada um de nós gratuitamente, isto significa que estamos no mundo de gratuidade. Viver no mundo de gratuidade nos faz vivermos na constante gratidão e na permanente ação de graças que se traduz na generosidade com os demais. Viver na gratidão e na permanente ação de graças é uma grande revelação de que somos capazes de olhar para a vida e seus acontecimentos com o olhar positivo, com o olhar do Senhor. Quem vive na constante gratidão suas forças se renovam, sua autoestima aumenta e seu ânimo de viver se dobra cada dia. A gratidão é a virtude das pessoas magnânimas.


“Estejam sempre alegres!”, escreveu-nos São Paulo. Para São Paulo, nenhum obstáculo ou dificuldade é capaz de impedir a verdadeira alegria, pois ela é um dos frutos do Espírito Santo (cf. Gl 5,22). Trata-se da origem superior, e por isso, está acima de tudo que é passageiro. Tudo pode passar, inclusive o sofrimento, mas a alegria permanece, pois é o fruto da aceitação de Deus na vida do homem, fruto do Espírito Santo.


A alegria cristã é possível na medida em que o cristão vive na liberdade, na paz, na fraternidade com os outros e na comunhão plena com Deus. Além disso, a alegria começa a partir do momento em que cada um de nós suspender seu esforço de busca da própria felicidade para procurar a dos outros. Para sermos felizes temos que fazer a felicidade dos outros sem esperar nada em troca. É simplesmente manifestação da minha entrega a Deus, pois Ele se entregou por minha causa. A entrega a Deus é a entrega à alegria. Deus “me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas joias” (Is 61,10b).
P. Vitus Gustama,SVD

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

16/12/2017
Resultado de imagem para Mt 17,10-13Resultado de imagem para Mt 17,10-13
É PRECISO PURIFICAR MINHA RELAÇÃO COM DEUS E COM O PRÓXIMO NA ESPERA DA VINDA DO REINO DE DEUS
Sábado da II Semana do Advento


Primeira Leitura: Eclo 48,1-4.9-11
Naqueles dias, 1 o profeta Elias surgiu como um fogo, e sua palavra queimava como uma tocha. 2 Fez vir a fome sobre eles e, no seu zelo, reduziu-os a pouca gente. 3 Pela palavra do Senhor fechou o céu e de lá fez cair fogo por três vezes. 4 Ó Elias, como te tornaste glorioso por teus prodígios! Quem poderia gloriar-se de ser semelhante a ti? 9 Tu foste arrebatado num turbilhão de fogo, num carro de cavalos também de fogo, 10 tu, nas ameaças para os tempos futuros, foste designado para acalmar a ira do Senhor antes do furor, para reconduzir o coração do pai ao filho, e restabelecer as tribos de Jacó. 11 Felizes os que te viram, e os que adormeceram na tua amizade!


Evangelho: Mt 17,10-13
Ao descerem do monte, 10 os discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que Elias deve vir primeiro?” 11 Jesus respondeu: “Elias vem e colocará tudo em ordem. 12 Ora, eu vos digo: Elias veio, mas eles não o reconheceram. Ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem será maltratado por eles”. 13 Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista.
---------------
Palavras Proféticas São Palavras Que Purificam Para Poder Encontrar-se Com o Salvador


O profeta Elias surgiu como um fogo, e sua palavra queimava como uma tocha”.


O texto da Primeira Leitura foi escolhido para corresponder com a leitura do Evangelho. No tempo de Jesus, o retorno de Elias era esperado. Os escribas se apoiaram num texto de Malaquias (3, 23), tomado em um sentido material: "Eis que vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o Dia de Javé, grande e terrível". Eles estavam convencidos de que Deus enviaria Elias antes de seu Messias.


A resposta de Jesus é calara: Elias já veio. É João Batista. Mas não o reconheceram como não reconheceram em Jesus o Messias. É uma excelente ocasião de aprender dos lábios de Jesus que não se devem interpretar todas as passagens da Sagrada Escritura de um modo demasiado simples, liberal ou infantil. Temos aqui um excelente exemplo de interpretação dos sinais dos tempos que o próprio Jesus nos dá. Existe uma maneira superficial de olhar a história e os acontecimentos.


Muito mais frequentemente do que pensamos, através de muitas pessoas e de muitos acontecimentos, há muitas vindas de Deus para restaurar o mundo, em geral e para restaurar nossa vida em particular. Aceitar, reconhecer esses "profetas" não é fácil. E há tantos falsos profetas nos nossos dias! No entanto, eles podem ser reconhecidos por seus frutos. O teste decisivo sempre será, e até o fim, o amor de Deus e dos outros na concretude da vida. Trata-se de um amor universal.


O profeta Elias surgiu como um fogo, e sua palavra queimava como uma tocha”.


O fogo é uma imagem constante na Bíblia para simbolizar Deus. No Sinai, Deus se manifestou no fogo da tormenta. É natural que o portador da vontade divina tenha um rosto de fogo. O fogo será o instrumento da última purificação dos últimos tempos. Essa imagem sugestiva provem seguramente do fato de que, nos sacrifícios primitivos, o fogo era o elemento que unia o homem a Deus. O fogo “comia” logo a vítima para consumar a comunhão com Deus.


João Batista Nos Chama a Criarmos a Harmonia com Deus e Com o Próximo


Depois da transfiguração (Mt 17,1-8), Jesus desce do monte, mas continua conversando com seus discípulos. Um dos assuntos dessa conversa é sobre o profeta Elias bem conhecido entre o Povo eleito e bem admirado pela sua luta contra a corrupção social, principalmente, pela sua luta para defender o monoteísmo contra qualquer tipo de idolatria e o panteísmo. O povo eleito considera Elias como um profeta cuja palavra é semelhante ao fogo. Porém não para queimar ou aniquilar e sim para purificar o Povo de Deus, pois a palavra que ele anuncia é a Palavra de Deus. E a força da Palavra de Deus nunca é devastadora, pois ela tem uma função de purificar e de transformar qualquer pecador em filho de Deus novamente. A Palavra de Deus ilumina qualquer mente escura para voltar a enxergar a beleza da vida: “Tua palavra (Senhor) é lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho” (Sl 118,105).


Entre os rabinos e os escribasdiscussões sobre o regresso do profeta Elias antes do juízo. A discussão se baseia na profecia do profeta Malaquias: “Eis que vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o Dia de Iahweh, grande e terrível. Ele fará voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais, para que eu não venha ferir a terra com anátema” (Ml 3,23-24). Para recusar a messianidade de Jesus, os escribas diziam que Elias não tinha vindo ainda. Dentro desta afirmação percebemos a objeção da cristã em suas primeiras discussões na Igreja primitiva.


Jesus aceita a tese da volta do profeta Elias, porém nega qualquer visão de fantasia bem difundida entre o povo sobre essa volta. Em vez disso, Jesus convida seus discípulos a discernirem o plano de Deus que está se manifestando diante de seus olhos. “Elias vem e colocará tudo em ordem... Elias veio, mas eles não o reconheceram”, afirma Jesus. Na primeira afirmação Jesus usa o verbo “vir” no presente no sentido de que é verdade que Elias precederá ao Messias. Na apocalíptica judaica, Elias devia vir para “pôr tudo em ordemem Israel para que a vinda do Messias tivesse lugar em meio da alegria de um povo purificado. A figura de Elias se encaixa perfeitamente na missão de João Batista como o Precursor do Messias.


Para levar os discípulos à urgência de conversão, Jesus identifica, então, expressamente o profeta Elias com João Batista, o ultimo grande profeta do Antigo Testamento. Os discípulos compreendem, naquele momento, essa identificação: “Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista (Mt 17,13). Porém, mais tarde eles vão cair novamente na incompreensão e incredulidade (cf. Mt 15,20).


João Batista é uma das figuras mais marcantes e predominam durante o Advento, na preparação a vinda do Deus encarnado. Em analogia com a missão do profeta Elias, João Batista quer enfatizar dois pontos importantes. Em primeiro lugar, minha relação com Deus. Eu preciso voltar para Deus que me ama por mim mesmo incondicionalmente, pois Deus em si mesmo é perfeito. Sou eu que preciso aproximar-me de Deus para que eu seja um reflexo do amor de Deus para o próximo. Meu encontro com Deus é sempre um encontro de dois amores: o amor eterno de Deus por mim e meu amor por Deus (voltei a amar o Amor eterno para que eu seja eterno). Meu amor para Deus é muito mais para mim mesmo do que para Deus que é o próprio Amor (cf. 1Jo 4,8.16). Amando eu me tornarei amoroso e amável.


Mas não basta ter boa relação com Deus. Por isso, João Batista me convida para que sane minhas relações com os outros homens, com meu próximo. Trata-se da minha relação com os outros, pois próximo é a passagem obrigatória ao encontro de Deus. Diante da divisão e do ódio eu preciso me regenerar no amor e na unidade. Diante da exclusão eu preciso reafirmar a comunhão, a participação, a fraternidade e a solidariedade. Diante da irresponsabilidade culpável, eu preciso viver e proclamar a verdade da responsabilidade ao viver de acordo com os valores. Diante da violência e da discórdia eu preciso me reconciliar e me renovar na paz comigo mesmo, com Deus e com o próximo. Diante da escravidão do pecado eu preciso apostar firmemente na liberdade de filhos de Deus.


Por isso, um dos grandes ministérios que nos é recomendado em qualquer comunidade cristã, especialmente no tempo forte liturgicamente é o ministério de reconciliação. Esta é uma das mais importantes tarefas e um dos melhores testemunhos que podemos ou possamos dar para o nosso mundo (comunidade, grupo, pastoral, movimento etc.) tão dividido pelo egoísmo, pelo ódio, pela injustiça, pela violência e pela guerra. A própria experiência humana, do ponto de vista antropológico, reclama reconciliação. Por isso, a reconciliação não deixa de ser também uma necessidade antropológica. Reconhecemos que não é fácil perdoar como ser perdoado, pois a reconciliação exige uma mudança no ofensor e no ofendido simultaneamente. O ofensor não fica perdoado porque o ofendido esquece a ofensa recebida e sim porque ambos se reencontram no amor.


Neste sentido, eu preciso deixar-me interpelar por João Batista cuja voz queima as impurezas em mim. João Batista é, como o profeta Elias, fogo irresistível, profeta cuja palavra ilumina meu caminho e o da minha comunidade. Além disso, eu preciso estar consciente de que como Elias e João Batista foram perseguidos pelos poderosos e não compreendidos pelos seus contemporâneos, eu posso ter a mesma sorte. Mas ao mesmo tempo, apesar de tantas oposições e obstáculos, a Palavra de Deus sairá vitoriosa. Por isso, viver sem confiar na Palavra de Deus deve ser impossível.  A Palavra de Deus será plena em nós quando estivermos plenamente na Palavra de Deus” (Santo Agostinho. Serm. 1, 133).


P. Vitus Gustama,svd



15/12/2017
Resultado de imagem para Mt 11,16-19
VIVER CONFORME OS MANDAMENTOS DO SENHOR PARA VIVER COM SABEDORIA
Sexta-feira da II Semana do Advento


Primeira Leitura: Is 48,17-19
17 Isto diz o Senhor, o teu libertador, o Santo de Israel: “Eu, o Senhor teu Deus, te ensino coisas úteis, te conduzo pelo caminho em que andas. 18 Ah, se tivesses observado os meus mandamentos! Tua paz teria sido como um rio e tua justiça como as ondas do mar; 19 tua descendência seria como a areia do mar e os filhos do teu ventre como os grãos de areia; este nome não teria desaparecido nem teria sido cancelado de minha presença”.


Evangelho: Mt 11,16-19
Naquele tempo, disse Jesus às multidões: 16 Com quem vou comparar esta geração? São como crianças sentadas nas praças, que gritam para os colegas, dizendo: 17 ‘Tocamos flauta e vós não dançastes. Entoamos lamentações e vós não batestes no peito!’ 18 Veio João, que nem come e nem bebe, e dizem: ‘Ele está com um demônio’. 19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe e dizem: ‘É um comilão e beberrão, amigo de cobradores de impostos e de pecadores’. Mas a sabedoria foi reconhecida com base em suas obras”.
----------------------
Privação Da Bênção De Deus É O Preço Do Pecado


Se tivesses observado os meus mandamentos! Tua paz teria sido como um rio e tua justiça como as ondas do mar; tua descendência seria como a areia do mar e os filhos do teu ventre como os grãos de areia; este nome não teria desaparecido nem teria sido cancelado de minha presença”.


Is 48,17-19, o texto que lemos na Primeira Leitura de hoje, é uma reprovação a Israel pela sua infidelidade aos mandamentos do Senhor. Durante seis anos de desterro Israel sofreu bastante como consequência do pecado cometido.


O texto quer nos afirmar que todo pecado priva da benção divina. É por isso que toda infidelidade exige o exílio, símbolo da distância de Deus.


Na verdade, o maior pecado do povo não era quebrar os mandamentos de Deus, e sim considerá-los inúteis em sua vida. Prescindir de Deus e de Sua vontade para se converter em seres autônomos sem outra lei do que seu próprio arbítrio ou critério.


Por isso, Deus se apresenta diante do povo para que compreenda o verdadeiro sentido dos mandamentos que deu ao povo: “Ah, se tivesses observado os meus mandamentos!”  Os mandamentos que o Senhor deu para o povo não era para impor um jugo sobre ele, para oprimi-lo com uma carga pesada. Ele os entregou como sinais do caminho para que eles não estivessem equivocados no caminho que o povo deveria seguir. Os mandamentos do Senhor têm como objetivo ensinar o povo para seguir o verdadeiro caminho: o caminho da paz, da justiça e da felicidade.


Se tivesses observado os meus mandamentos! Tua paz teria sido como um rio e tua justiça como as ondas do mar”. Trata-se da preciosa concepção da lei antiga, tão esquecida não só pelos israelitas, mas também por muitos cristãos de nossos dias. O homem, cego por sua autossuficiência egoísta, continua caminhando ao acaso, fazendo o seu caminho, desprezando as indicações do caminho, sem perceber o grande perigo de não alcançar o único objetivo ao qual ele está destinado.


Apesar de todas as nossas recusas, de todas nossas faltas de amor, Deus quer nossa felicidade, nossa justiça, nossa retidão, nossa santidade. Deus quer que nossa vida seja fecunda. Mas há somente uma condição: estar atento aos mandamentos do Senhor.


O mal não tem rosto porque ele pode tomar o ser de qualquer um de nós. Ninguém está isento da possibilidade do mal. O mal é tudo que serve à morte; tudo que sufoca a vida, estreita-a, e corta-a em pedaços.  As principais ameaças à nossa sobrevivência vêm de nossa natureza humana interna: são nossas hostilidades, nosso descaso, o egoísmo, o orgulho/a arrogância, prepotência e a ignorância deliberada que põem o mundo em perigo. Por isso, a realidade do mal exige vigilância.


Viver Com Sabedoria Nos Leva à Alegria De Viver e De Conviver


Jesus é um grande observador da vida cotidiana. Ele contempla tudo e nada escapa de seu olhar. Seu olhar é atento, penetrante e sensível para tudo e diante de tudo. Jesus é uma pessoa que está sempre ligada com tudo. Ele observa tudo: a natureza (árvores, aves, flores, plantações, chuva, relâmpago, etc.), as atividades dos homens como agrícola, pescaria, agropecuária (ovelha, cabrito, cordeiro etc.), construir casas, casamento, banquete etc. para depois tirar alguma lição para a própria vida das pessoas de seu tempo. Basta ler todas as parábolas de Jesus logo confirmaremos a verdade de tudo o que foi dito. Para Jesus a vida cotidiana com seus acontecimentos e a natureza servem como se fosse um grande livro divino onde ele página por página, dia após dia, suas mensagens ou suas lições para a própria vida do homem.


Desta vez Jesus nos conta sua observação sobre a atitude de crianças que brincam nas praças. Com certeza, um dia ele observou as crianças que brincavam em uma praça que repetiam o seguinte refrão durante a brincadeira: “Tocamos flauta e vós não dançastes. Entoamos lamentações e vós não batestes no peito!”. Um dia ele usou essa observação para falar do comportamento de seus contemporâneos diante de João Batista e diante do próprio Jesus.


João Batista, como o Precursor do Senhor, se apresenta como um homem austero, que não comia comidas cotidianas nem bebia bebida alcoólica. Ele comia apenas gafanhotos e o mel silvestre e se vestia de pele de camelo. Por causa disso, seus contemporâneos que tem mentalidade hedonista e que procuram a todo o custo o prazer consideram João Batista como “louco”.


Na verdade, a vida de João Batista é uma crítica severa sobre o hedonismo sem freio que causa tristeza para tantas pessoas que acabam vivendo uma vida solitária mesmo que se encontrem no meio da multidão ou no meio de uma festa, e que sacrificam tantas pessoas em nome do seu prazer. Nosso coração não está sedento de prazer, de poder, de fama, de riqueza e sim de sentido. O que nos frustra e tira a alegria de viver é a falta ou a ausência de significado de nossa vida. Não passamos a ser felizes perseguindo a felicidade. Nós nos tornamos felizes vivendo uma vida que signifique alguma coisa. Geralmente, as pessoas mais felizes que conhecemos são aquelas que se esforçam para serem generosas, solidárias, compassivas, prestativas, atenciosas, confiáveis, mansas, amorosas... Quem desejar fazer a experiência da verdadeira e autentica alegria, deve aprender primeiro a renunciar à intemperança e aos prazeres efêmeros, deixar de pensar em si mesmo e nos seus interesses. Ao fazer alguém feliz, nós seremos felizes verdadeiramente.


Jesus veio com seu projeto de felicidade (cf. Mt 5,1-12), trouxe a vida em abundância para todos (cf. Jo 10,10), anunciou a igualdade (cf. Mt 20), pois todos são filhos e filhas de Deus, e por isso, comia e bebia com os excluídos da sociedade (pecadores, publicanos, prostitutas, doentes etc.). Ele anunciava um Deus que é bom, que não exclui nem castiga quem errou, que convida para a festa com Ele todos os homens sejam bons sejam maus (Mt 22,10; Mt 5,45). Em outras palavras, Jesus ensina os homens o passo de dança alegre da vida como um prelúdio da felicidade celeste no banquete eterno com Deus de Amor (cf. 1Jo 4,8.16). Mas por causa de sua maneira de viver e de conviver, Jesus é chamado de “comilão” e “beberrão”.


Diante do comportamento de seus contemporâneos Jesus deu uma resposta cheia de sabedoria: “Mas a sabedoria foi reconhecida com base em suas obras.  Trata-se de um provérbio.


Quando se fala da sabedoria no mundo grego, e também em nosso mundo, pensa-se simplesmente na ciência. O mundo da Bíblia pensa de maneira distinta. A sabedoria, sem qualificativo nenhum, é a sabedoria de Deus. Com ela faz-se referencia ao plano de Deus sobre o mundo e sua execução através dos homens eleitos por Deus para realizá-lo.


Com o provérbioMas a sabedoria foi reconhecida com base em suas obras, o evangelista Mateus quer afirmar que, tanto João Batista como Jesus são agentes na realização do plano de Deus. A conduta dos dois pode parecer equivocada e ser julgada como tal pelos dirigentes do povo judeu na sua época, mas as obras dos dois (João Batista e Jesus) demonstram que estão na linha da verdade e, portanto, os equivocados são os próprios gerentes do povo. A obra salvadora que Jesus levou até o fim no mundo demonstra que aqueles que O recusaram não tinham razão, pois Jesus é a sabedoria de Deus, pois Ele é o Verbo de Deus.


O retrato de muitos cristãos que não levam a serio os ensinamentos de Jesus em suas vidas pode ser, em parte, o mesmo que os dirigentes do povo na época de Jesus. Há pessoas insatisfeitas crônicas, que se refugiam em suas críticas ou veem somente o mau na história e nas pessoas e sempre se queixam. A insatisfação crônica conduz a pessoa ao perfeccionismo. Uma pessoa perfeccionista considera inaceitável qualquer coisa que não seja perfeito. O perfeccionismo é capaz de roubar a felicidade e a alegria de viver. Somos chamados a ser excelentes e não perfeccionistas. Excelência é a habilidade de melhorar continuamente. E isto supõe a abertura às mudanças, a flexibilidade diante do fracasso e a aceitação dos próprios erros. É possível ser uma pessoa feliz, livre e desfrutar a vida mesmo sem ser perfeito.  Será que isso é uma expressão de não querer mudar?


Mas a sabedoria foi reconhecida com base em suas obras. Há duas maneiras de viver sabiamente que se complementam ou dois modos de dançar na vida: a maneira de João Batista que nos leva a viver na sobriedade, mas sem perder a alegria de viver como ensinou Jesus através da convivência amorosa como os irmãos do mesmo Pai do céu. Em tudo na vida é preciso nos perguntarmos: tem algo positivo para mim e para os que convivem e trabalham comigo ao fazer, ao falar, ao escrever ou ao comentar alguma coisa?


Além disso, tudo na vida tem seu tempo (cf. Ecl 3,1ss). Reconhecer a hora de Deus, o tempo oportuno, o tempo da graça, o Kairós é um sinal de sabedoria. Somente os simples de coração têm essa capacidade. Se para Deus tudo é simples, para o simples tudo é divino. A simplicidade é a transparência no olhar, a retidão no coração e no comportamento e a sinceridade no discurso, sem nenhuma simulação. A simplicidade é a sabedoria dos santos e a virtude dos sábios.


Como os contemporâneos de João Batista também eu sou convidado pela figura de João Batista para fazer sinceras obras de penitência. Reconhecer a hora de Deus, para mim, significa tirar as máscaras para viver na transparência, renunciar a olhar apenas de um ângulo sobre a vida e seus acontecimentos, aprender o olhar tudo a partir de Jesus Cristo: um olhar de um irmão.


Mas a hora de Deus não é somente a hora da penitência e de mudança de vida. É também a hora do gozo, da alegria que o Evangelho de Jesus nos traz. O gozo evangélico nascerá em mim ao reconhecer que Jesus não se envergonhou de ser chamado de “amigos de publicanos e pecadores”. O perdão que me anuncia não se reduz a uma mera palavra ou uma noticia genérica de Deus diante das minhas falhas e fraquezas, mas que é acontecimento desconcertante, pois Deus continua me amando e voltei a amar o Deus de amor. Apesar de eu ser pecador Deus me convida para o banquete divino. Não se trata de uma festa que se deixa para amanhã. Esta festa para mim é hoje. Eu preciso ouvir atentamente o que o Senhor disse para Zaqueu: “Hoje a salvação entrou nesta casa”. “Esta casa” sou eu, é minha família, são meus amigos e meus irmãos em Cristo.
P. Vitus Gustama,svd